terça-feira, 31 de março de 2009
Entrada nos anais dos blogs
Hoje vou tentar começar o que acho que vai ser um fracasso total. E vai ser breve, mas até espero que não. Espero estar errada sobre minhas próprias capacidades e enfim mudar a estatística das coisas que consigo concluir ou ao menos manter. Manter é sempre mais difícil. Há uma orientação budista falando dessa dificuldade das pessoas de começar as coisas muito bem e não conseguir manter seus projetos. A euforia do novo nem sempre dá lugar a essa sabedoria de cultivar bem o que foi iniciado tão bem. Não basta semear, é preciso cultivar seus plantios, valorizar suas conquistas e se preparar para as grandes vitórias que a vida sempre traz. Mesmo quando a gente tá mais ocupado em lamentar o que não conseguiu realizar, ao lado dos nossos fracassos sempre tem grandes vitórias. Basta só ter olhos sábios e um coração empreendedor para ser vencedor!
segunda-feira, 30 de março de 2009
Estatuto do Homem (Thiago de Melo)

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade. Agora vale a vida, e de mãos dadas,marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar,como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único: O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa, a qualquer hora da vida, uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único. Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.
A Menina Cresceu

e αρrendeu α se virαr sozinhα, α ver α vidα do seu jeito, αρrendeu α ver quem são αs ρessoas que α fαzem bem, αs que α fαzem mαl, e αs que não fαzem simplesmente nαdα. αρrendeu que o que reαlmente vαle α ρenα é o momento vivido, que deρois, ele ρode não no ter α mesmα intensidαde. αρrendeu α continuαr de cαbeçα erguidα, α lutαr ρelαs coisαs que αcreditα e α chorαr ρelαs coisαs que elα ρerdeu. αρrendeu α ver que há certαs coisαs nα vidα que o temρo nαo αραgα, mαs que outrαs, por mαis que demore, ele αραgα sim, αρrendeu que não ρode exigir o αmor de ninguém, αρenαs dαr boαs rαzões ραrα que gostem delα e ter ραciênciα, ραrα que α vidα fαçα o resto,αρrendeu α ouvir críticαs, e elogios, α criticαr e elogiαr, αρrendeu α seguir seu corαção, αntes de seguir quαlquer outrα coisα, viu que α vidα não é o cαstelo encαntαdo que elα ρensou ser, mαs ρode se tornαr melhor que isso se elα souber viver ..e então elα pαssou α αcreditαr nelα mesmα.."
A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera
"É errado, portanto, censurar um romance que é fascinante por suas misteriosas coincidências (...) mas é certo censurar o homem que é cego a essas coincidências em sua vida diária. Pois sendo assim, ele priva sua vida de uma nova dimensão de beleza"
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